terça-feira, 28 de agosto de 2012

Ligação perdida

Estava abrindo a porta de casa quando ouvi o telefone tocar. Não deu tempo de atendê-lo e não possuía secretária eletrônica àquela época, muito menos um identificador de chamadas. Considerava estes recursos inibidores de surpresas, o que não condizia com a minha maneira de encarar a vida. Mesmo assim, odiava quando este tipo de coisa acontecia – sempre fora extremamente curioso – e uma situação assim flagelava o meu nada ortodoxo humor.
Quem poderia ter me ligado num sábado à noite, num horário atípico, nem tão tarde, nem tão cedo? Atravessava um momento de pouco contato social, por opção, portanto, seria bastante inesperado que uma pessoa fora do círculo familiar me procurasse em tais circunstâncias. Claro, só poderia ser meu pai, procurando algum tipo de conversa fiada – ponderei em voz alta, tentando desestimular algum passador de trotes.
Desdenhei do insólito imbróglio – não considerei outra hipótese, havia sido o meu pai –, larguei a sacola de compras no balcão da cozinha e me dirigi ao banheiro. Necessitava desesperadamente de um bom banho, para depois curtir uma não tão agradável insônia, talvez fruto da inquietude que me acometia nos últimos dias. A tentativa de me isolar estava interferindo negativamente no trabalho e o ultimato já havia sido dado. Melhore... Senão, adeus. Não dei muito atenção à ameaça, afinal, eu era superior às palavras intimidadoras. Até então.
E o inesperado – ou o esperado – aconteceu. Foi só desligar o chuveiro e escutei o toque do infernal aparelho. Não se tratava de umas dessas ironias baratas do cotidiano do homem comum. Algo de muito errado me sondava. Atabaolhado, deixei cair a toalha e completamente encharcado me precipitei pelo corredor que dava até a sala. Tudo em vão. Saquei o fone do gancho e perdi levemente a compostura. “Alô, alô, quem fala?” E do outro lado da linha, um silêncio requintado, provocador, testando meus frágeis nervos. Poucos segundos depois, desligou, quase me sufocando de aspereza.
O que isso tudo significava? O caminho mais fácil seria ligar para o meu pai e ao menos eliminar essa possibilidade. Mas o desconforto do evento me causava um prazer libertador, mesmo que inebriantemente temerário. Alguns chamam isso de sadismo, considero mais justo classificar meu sentimento como algo mais próximo de “lúbrico”. Achei por bem ir adiante com o jogo de gato e rato, agindo naturalmente, fingindo ignorar o aparelho telefônico, pálido em sua simplicidade e prática incumbência. Estratégia pura, claro... No meu íntimo, ansiava por mais uma ligação.
Determinei que na próxima chance, aguardaria ao menos quatro toques – número adequado, capaz de impor respeito – e depois daria o bote. Mas o que diria? Hesitei sobre a possibilidade de me manter em silêncio, destilando o troco na mesma moeda, mas me convenci de que esta era a decisão mais correta. Sim, eu também, de alguma forma, causaria desconforto ao interlocutor. Um diálogo mudo. Não se trata de loucura, na verdade, seria interessante, mais observação, menos falatório. Através de um suspiro, do respirar do outro, de emanar ao longo dos cabos telefônicos uma energia contida, aspirando por liberdade, o “diálogo” se estabeleceria. Duas pessoas à distância, meticulosamente se estudando. Em busca da verdade, de um perdão, talvez?
Às duas e pouco da manhã, eu permanecia absolutamente absorto, idealizando o fato de que alguém estava disposto a me levar ao limite da sanidade. Proporcionei algumas oportunidades para que o telefone tocasse, ao me ausentar da sala. Sempre atento, obviamente. Mas minhas tentativas foram todas em vão, como se o interlocutor misterioso tivesse conhecimento preciso de minha emboscada. E eu, com certeza, não conseguia de forma alguma me desvencilhar mentalmente, emocionalmente do enredo já ali traçado.
Meu coração acelerou ao extremo. O tilintar do aparelho se fez presente e me despertou bruscamente. Sim, havia adormecido no sofá da sala, como uma presa incapaz de fugir dos limites impostos pela natureza. E o pior: quantos toques já tinham reverberado pelo cômodo, interrompendo aquele cenário árido? Frustrado, atestei: havia perdido a primeira batalha, mesmo com todos os subterfúgios utilizados para não ser surpreendido. Mesmo assim, não esmoreci.
Puxei o aparelho do gancho com a mão trêmula e, prontamente, percebi que isso não poderia se estender pelo resto do corpo – indicaria precisamente a prova de que eu não era digno de encarar a força presente do outro lado. Respirei fundo e acomodei, sem estardalhaço, o auscultador junto ao rosto, evitando qualquer outra movimentação de meus membros.
Permanecemos em silêncio; não sei precisar por quanto tempo. Segundos, minutos, horas... Não importava mais, desde que o toque do telefone se fizera presente pela primeira vez naquele dia. E então, escutei o necessário, o primeiro sinal vital do meu interlocutor e depois sua voz pouco potente. Uma respiração ofegante do outro lado, impaciente e imprecisa, e impressionantemente familiar. “Alô, quem fala? Gostaria de falar com...”. Desliguei. Testei minha voz dialogando com o espelho. E constatei, com ar triunfal, como minha reclusão espontânea agira sobre o meu juízo.

sábado, 7 de abril de 2012

Léxico passional. Ou pisando com cuidado nas palavras

E ele que não gostava de ser cauteloso, agora estava ali, impotente e relegado ao segundo plano sentimental de G. Falara demais na noite anterior e na noite antes dessa. Embalado por seguidas doses de uísque e pelo papo mole dos falsos amigos, C. estragou tudo com exímia maestria. "Você é isso e aquilo outro", vociferava contra a parceira sem medir conseqüências. G., cansada de ouvir seguidamente queixas e acusações infundadas, fez suas malas e sem sequer bater a porta, demonstrando uma calma irritante aos ouvidos de C., foi-se. Ela e o cachorro, H. Para ele, mais umas doses anestésicas e cama.

E quando acordou, C. em pânico. Veio a sensação de ter feito uma tremenda merda. A perda de memória recente causada pelo álcool atrapalhava. Voou da cama e tentou consertar as coisas, "linda, juro que esta foi a última....", ao que, firme e gélida, G. bocejou antes de desligar o celular. C. entrou em depressão, procurou ajuda - nunca o boteco da esquina faturou tanto - e se entregou aos prazeres do sexo delivery e virtual. G. nem desconfiava da nova e agitada vida de seu ex-conjugê.

G. conhecera alguns homens neste meio tempo, alguns requintados e pernósticos, outros brutos e pouco higiênicos, uma leva de cultos e inviáveis econômicos. C. era um pouco de cada; podia seduzir uma mulher num solo de sax, conquistá-la numa cama selvagem, esgrimir um poema, assim de viés. C. estava nas últimas quando recebeu uma carta de G. Uma carta sim, de papel da melhor qualidade, a mão, caneta tinteiro. "Sinto saudades. Sinto que devo te perdoar. Sinto que você também não quer mais esta distância constrangedora".

C. leu e sorriu. Pôs-se aprumado e jogou fora todo o lixo acumulado nos meses de solidão e prevaricações. Sentou-se à mesa da sala de leitura e redigiu em sua velha máquina de escrever uma carta de resposta. "Querida G., sinto que não posso mais tê-la. Sou escravo das palavras mal empregadas e, portanto, um grande equívoco verborrágico. Sinto um amor inenarrável por você - o maior de todos - mas temo não saber as horas certas de pisar com cuidado nas palavras. Por isso, estou indo embora."

G., acuada pela carta, tentou, em vão, socorrer C. Ao chegar no antigo apartamento - onde vivera os grandes momentos de sua vida - G. encontrou C., metamorfoseado num livro empoeirado.

palco vazio

O percurso do teatro até minha taverna não era fácil. Um submundo recheado de espécies abjetas, de gigolôs a estivadores, de yuppies a adestradores de leões. E eu. Mas nunca poderia deixar aquele lugar, eu respirava aquela sujeira, absorvia o perfume sápido do esgoto; sensações inspiradoras irradiavam pelos bueiros. Sempre caminhava por ali naquele horário, nem próximo ao dia anterior, nem ao posterior. Quanto mais perigo espreitando melhor, pensava que assim encontraria a maneiraa dequada de me matar sem remorso.
Especialmente naquela noite andava a passos largos, altivo e arrogante. Um prato cheio para qualquer selvagem que se encantasse comigo. Assobiava um chorinho qualquer e fazia questão de realçar o barulho batendo firme o pé no chão, rompendo furiosamente poças e aglomerações. Sempre que passava entre as hordas de putas, gigolôs e estivadores pensava numa maneira de agrupá-los num só nome, um coletivo. Uma matilha, um cardume. Não encontrava a definição apropriada. Corja já existia. Eu pertencia à corja também.
Gostava quando uma puta lançava um convite mais alvissareiro. Podia saciar meu humor de duas maneiras: ou mandando a puta à merda, ou dando-lhe um belo tapa no traseiro, um tapa estalado de se fazer ouvir na esquina. Isso só acontecia quando eu estava realmente de muito bom humor. Elas riam, puta adora levar tapa na bunda - seja por mero golpe de marketing ou mesmo por obscenidade congênita. Eventualmente eu levava um exemplar bofetão no rosto, mero espólio de guerra.
Os mais boas-praças da área eram os cachorros. Havia um que comia bituca de charuto. Usava chapéu coco e uns óculos escuros. Costumava chamá-lo de Al. Acho que Al gostava do nome, pois não raro, quando gritava “Al” - e caso ele estivesse faminto -, atravessava a rua, deixando o bordel do qual era o leão-de-chácara, para filar um teco de fumo e um gole de bourbon. Aí, sentava no meio-fio com ele e passávamos bons momentos pondo o papo em dia, falando das cadelas, da vida de cão, do osso duro de roer. Gostava de sua sinceridade - suas colocações sempre se contrapunham aos diálogos rasos dos meus interlocutores habituais. Al era do tipo cínico e confiável.
Também havia alguns inimigos que obtinha por ser excêntrico demais. Certos moluscos não lidavam bem com a minha empáfia, então me enchiam de porrada, largando-me semivivo num beco qualquer. Os becos são escuros e silenciosos, caso você não se importe em dividir um papelão com um mendigo asqueroso, tratam-se de ótimos lugares para colocar o sono em dia. Com direito a experimentar um suculento ensopado de pedra.
Depois era acordar, lavar o rosto na fonte da praça, levantar a pata para dar uma mijada e ir direto para a repartição, incomodar os outros com o bafo de cana exalando pelas ventas. Despachava com prazer, carimbava sem dó ou piedade as súplicas dos desditosos cuja falta de sorte cruzavam meu caminho - entenda-se, cujo destino os colocava em meu guichê. O prazer quase carnal de negar negar negar cobrar cobrar cobrar executar executar executar. Poderia passar o resto de meus dias assim, ferrando os outros, aniquilando anseios dos carentes, as utopias farináceas da ralé.
Já próximo de casa, passei em frente ao bordel de Al. Não o vi logo de cara, ele estava em missão - corria atrás de um malandro devedor. Mas em seguida surgiu pela rua, peito estufado, um maço de dinheiro na bocarra. Abanou o rabo e aceitei o convite, fomos ao bordel tomar um drinque. Ele não pôde ficar mais do que quinze minutos, ainda havia muitos traseiros a se conferir. Fiquei lá sozinho, atento ao vai e vem dos habitués.
O show de strip não estava exatamente agradável... A moça, coitada, tinha marcas de queimaduras nas costas, apesar de ostentar uma bela bunda, compatível aos seios naturais. Ela exibia um certo, refletido num olhar perdido e desdenhoso, como se não pertencesse àquela realidade. Ao analisar a situação daquela maneira, me excitei. Não faria caso por causa de uma cicatriz de cinco palmos. Após o show, voluptuoso, me esgueirei até os camarins. Após uma breve negociação, subimos até um quartinho emporcalhado e cheio de infiltrações. Fedia, e muito. Virei umas quatro doses de vodka falsificada e quase gorfei com o calor que me subiu o esôfago.
Resolvi sair dali em disparada. Sem mais turismo pela boca do lixo. Estava com saudade da minha rede, de meu colchão no chão – sim, odiava dormir em camas. Quando saí do bordel, Al já estava de folga, encolhido em sua toca, dormindo com a pata sobre uma caixa de charutos - um provável presente de algum cliente. De fato, faltava pouco para amanhecer e eu estava relativamente tenso, não gostava de me ausentar por tanto tempo de minha casa. Há muito não saía de férias e estava desacostumado com essa sensação de retorno. Após duas semanas vagando, sem ter ao menos descansado, estava a poucas horas de retomar meu cargo de carrasco burocrata. Alívio.
Cheguei ao prédio onde morava. Denominei-o “Taverna”, tal era o aspecto medieval daquela espelunca. Eu ocupava um espaço correspondente à cobertura de um desses edifícios de arquitetura romanesca. Tratava-se de um imenso átrio, com quatro mezaninos dispersos em diversos níveis, compondo um cenário disforme, porém absolutamente natural, como se não tivesse sido projetado, apenas surgido em meio ao nada. Gostava de lá, sentia-me dono de meu próprio cânion, onde poderia espreitar qualquer intruso que por ventura tivesse a ousadia de invadi-lo.
Meu nicho era inexpugnável. Subi os quatro lances, fatigado, porém alegre. Sonhando com uma taça de vinho e sonhos indecentes. Podia ouvir música no volume que me aprazasse a qualquer horário. Eram todos tolos no prédio, temiam minha autoridade bufa e nunca haveriam de me afrontar. Contudo, naquela noite, faltando poucos degraus para chegar ao meu apartamento, ouvi uma música flautada, falatório e risadas rasgadas. Dei um leve tranco na porta, que estava somente encostada. E fiquei ali uns tantos minutos somente contemplando. Depois cocei profundamente os olhos e entrei.
Eles não se importaram com minha presença. Permaneceram dançando, cantando, bebendo e trepando. Uma horda invadira minha casa. Fui rompendo pelo átrio, pasmo, sem qualquer reação, retido pela cena que ali se desenrolava. Ainda coçava os olhos. E ninguém se importava com o fato de alguém tão desanimado e destoante estar ali. Trajavam - os que trajavam algo - fantasias, batas e panos esvoaçantes.
Minha casa, antes um lugar lúgubre, frio e organizado, tornara-se um circo caótico, uma farra, uma suruba, uma orgia! Pensei um pouco e... não vivenciava algo assim desde... Enfim, há muito. Parei de andar e passei somente a admirar, embasbacado com o espetáculo. Estava certo de que se tratava de um surto, a puta do teatro certamente havia adulterado a vodka quente e agora eu ali, numa viagem sabe-se lá de quê. Meu colóquio íntimo foi interrompido. Uma mulher caminhou - ou flutuou - em minha direção. Cabelos mechados, prateados e vermelhos. Idade indefinida, semblante muito despojado para ser uma senhora, muito instigante para uma jovenzinha ingênua. Tratou de me pôr a par da situação.

Estavam de passagem, ensaiando uma peça.

Explicou-me que não tardariam a ir embora e que eu não precisava ficar incomodado com a presença deles. E vice-versa. A maneira suave e a prosa eloquente me sedaram e letargicamente acatei as instruções. Foram dias estranhos... Como nada ali tinha a fazer – ao menos no começo dos ensaios - dediquei-me à arte da observação. Tratava-se de uma trupe alegre, empolgada e de muita miscigenação, os mais diversos tipos estavam ali representados. Matilha, cardume... Corja. Mas era apenas uma trupe errante, definitivamente mambembe. Davam mais atenção à diversão do que propriamente ao teatro. Não havia um diretor específico – a de cabelos vermelhos e prateados falava um pouco mais do que os outros, possuía um carisma extraordinário. Mas era de ouvir também.
Durante toda a permanência deles não houve um segundo de silêncio absoluto. Uma espécie de revezamento. Uns dormiam enquanto os outros arrefeciam a orgia e os ensaios. Talvez até o décimo primeiro dia desde a tomada da casa, tive o mínimo de espaço preservado. Mantinha meu colchão no chão. Entretanto, na noite antecedente ao décimo segundo fui deitar cansado de tanto observar e dei de cara com a de cabelos vermelhos e prateados, nua, refestelada sobre meu leito. Sorvia delicadamente uma taça de absinto olhando para o vazio. Sophia me convidou. Aceitei. O estupor pós-sexo reativou - embora “ressuscitar” seja o termo mais correto - alguma memória.
Havia voltado de férias antes do prazo concedido pelo RH. Minha intenção era aproveitar os últimos dias em casa mesmo, apenas pasmando, lendo, bebendo, talvez - quem sabe - aproveitando sem culpa, sem horário as aventuras da boca do lixo. Aí, esbarrei em uma situação improvável e não soube rejeitá-la. Pelo contrário. Então, lembrei-me que antes de me engajar na repartição, onde despachava contra tudo e todos, havia sido um crítico pedante de artes. Dirigia meus impropérios especialmente ao teatro.
E de tanto rechaçar a tudo que assistia, pois assim fortificava meu prestígio, a sangue frio assassinei a dramaturgia. Tanto fiz que, até eu, tão conceituado, tive de procurar outro ofício. Com o meu currículo ácido foi fácil achar alguém que me pagasse o suficiente. E nem precisava. Nascera em berço esplêndido e desde sempre só tivera acesso ao bem-bom, ao conforto inequívoco dos indignos.
Sophia não conversava comigo, numa típica ironia, pois somente comigo ela demonstrava não ter qualquer interesse de manter um diálogo. Passávamos boa parte dos dias entrelaçados. No restante do tempo ela ensaiava com a trupe, enquanto eu bebia em meu colchão, pois estava proibido de assistir aos trabalhos. Porém, meu tempo estava acabando, teria de voltar à repartição em dois dias e precisava despejá-los. Deixei a tarefa para quando acordasse.
Sempre despertava antes de Sophia. Naquela manhã, julgava dispor de intervalo suficiente para tomar um trago encorajador, para em seguida lhe dar as boas novas. Mas ela não estava no colchão quando levantei. E ninguém mais estava lá. Encontrei uma carta estrategicamente depositada sobre o bar. Continha frases um pouco desconexas. Achei por bem fazer o que estava escrito no papel, pensei se tratar de uma surpresa. E, por fim, era isso mesmo.
Postei-me sobre o local indicado. Mãos cruzadas sobre a altura do colo, olhos fechados. E nu. Ouvi o som das cortinas sendo retiradas. Abri os olhos com a dificuldade costumeira de enfrentar a luz após algum tempo. Deparei-me com uma plateia vazia, excetuando-se duas cadeiras. Em uma reconheci Al, adormecido com o indefectível chapéu coco lhe cobrindo a face. Ao seu lado, Sophia anotando desdenhosamente em uma caderneta. E no palco, eu.